terça-feira, julho 26, 2011
terça-feira, outubro 12, 2010
Conto inacabado
Caiu uma chuva de arrancar o chão, durou uns trinta minutos. Ouviu-se um canário ao longe. O rabecão chegou e soldado tomou nota.
Levaram o rapaz embora.
quarta-feira, outubro 22, 2008
Poesia ao Vivo

POESIA AO VIVO
APRESENTAÇÃO
O projeto POESIA AO VIVO será realizado nos dias 24 e 25 de outubro de 2008, e consistirá em debates e apresentações intercaladas de poesia, música e teatro (dia 24) e um encontro entre os poetas e editores convidados de São Paulo e os participantes das oficinas Poiesis (poetas iniciados e iniciantes) e Poesia e Teatro (atores e atrizes), ambas ministradas por Waldo Motta (dia 25).
OBJETIVOS
Reunir num mesmo evento artistas da poesia, do teatro e da música;
Promover a amizade, o intercâmbio e parcerias entre poetas e artistas capixabas e de outros estados brasileiros;
Apresentar poetas capixabas a poetas e editores de São Paulo, visando a criar possibilidades de divulgação e publicação;
Criar meios de difusão e popularização da poesia.
PROGRAMAÇÃO
Local: Centro Cultural Majestic
Endereço: Rua Dionísio Rosendo, 99 – Centro – Vitória – ES
Tel.: (27) 3222.5984
Informações: astrid@majestic.org.br / waldomotta@bol.com.br
Sexta-feira, dia 24 de outubro
16:00 hs - Momento informal: apresentações recíprocas dos participantes do evento POESIA AO VIVO: poetas, editores, organizadores, apoiadores, artistas em geral
16:30 hs – Palestra e debate sobre a poesia na atualidade: com Massao Ohno (SP), Ronald Polito (SP), Waldo Motta (ES), Celso de Alencar (SP) e Paulo Sodré (ES)
18:30 hs - Coffee break, no Centro Cultural Majestic
19:30 hs - Início das apresentações artísticas: poesia, música e teatro
21:30 hs - final do evento
Sábado, dia 25 de outubro
10:00 às 12:00 hs – Massao Ohno, Celso de Alencar e Ronald Polito conversarão com os participantes das oficinas Poiesis (poetas iniciados e iniciantes) e Poesia e Teatro (atores e atrizes)
POESIA AO VIVO
Autor e organizador do projeto Poesia ao Vivo:
Waldo Motta
E-mail: waldomotta@bol.com.br
Site: www.waldomotta.cjb.net
Tel.: (27) 8841.7348
Waldo Motta, poeta, autor de, entre outros, Bundo e outros poemas (Unicamp, 1996) e Transpaixão (Kabungo, 1999), livro este indicado para o Vestibular da UFES 2010/2011, é o organizador do evento, e atualmente desenvolve as oficinas Poiesis (para poetas), Poesia e Teatro (para atores), ambas com apoio da Secretaria de Cultura de Vitória.
Realização: Secretaria de Cultura da Prefeitura de Vitória / Circuito Cultural de Vitória / GR arte&educação - Apoio: Secretaria de Produção e Difusão Cultural e Programa de Pós-Graduação em Letras-UFES
Entre os convidados de São Paulo: o editor Massao Ohno, que publica poesia há meio século, o poeta e editor Ronald Polito e o poeta e assessor da Secretaria de Cultura de SP, Celso de Alencar.
Entre os poetas daqui estão Waldo Motta (que ministra as oficinas Poiesis e Poesia e Teatro e organizou o evento Poesia ao Vivo), Marcos Tavares, e uma penca de gente talentosa que está se revelando como George Saraiva, Roberto Soares, Tatiana Brioschi, Franklin Netto, Fábio Freire, Fabrício Noronha e Piatã Lube.
Os atores e atrizes Danielli Zetum, William Berger, Cristina Garcia e Allan Moscon, da Oficina Poesia e Teatro, lerão poemas dos participantes da Oficina Poiesis, e os três últimos apresentarão cenas da peça Terra sem mal, versão teatral do livro homônimo e inédito de Waldo Motta. Na verdade, William, Cristina e Allan fazem nesta apresentação a estréia da peça, que resulta da oficina Poesia e Teatro, desenvolvida em três módulos de quatro meses de aulas teóricas e práticas, pesquisas, reflexões e métodos próprios sobre o que Waldo chama de teatro alegórico e que tem algumas afinidades com as idéias e obras de Calderón de La Barca, Gil Vivente, Anchieta, Brecht e Artaud, entre outros.
TERRA SEM MAL - A peça satiriza a busca real e o achamento imaginário da Terra sem mal, isto é, o paraíso terrestre (ywy marã ey, na concepção indígena) e as cenas que serão apresentadas são:
1) A marcha ou peregrinação indígena em busca do suspirado paraíso; 2) um diálogo burlesco entre Tupã e o pajé buscador; e 3) outro, travado entre um tipo diferente de buscador, o cara branca, quer dizer, o Sinhozinho, e Jaguarete, a monstra terrível, a bicha papona, que guarda o lugar sagrado, e a coisa buscada.
O poeta Waldo Motta lerá, entre outros, o poema Jurupari, que fala do retorno do Messias e sua fala apocalíptica.
O poeta Fabrício Noronha e os participantes de seu grupo Sol na Garganta do Futuro, que mescla poesia e música, farão a abertura, as vinhetas entre as apresentações e o encerramento do Poesia ao Vivo, na sexta-feira.
terça-feira, setembro 30, 2008
segunda-feira, maio 05, 2008
No amanhecer de Peter Pan – 2ª parte


Um último haicai.
É um trêmulo desejo, e o Havaí, por onde anda? Fizeram-me mero coadjuvante; ah! Esta alegria que tão pouco dura tão somente dura. É preciso que haja um pouco mais de feminilidade neste mundo; um pouco mais de amor; e o crescendo de um trompete afinado em si bemol molhando os olhos, (queime aqueles lábios molhados) um resto de solidão...
Poemas para a redundância, prolixos, exóticos e apropriadamente beat-beatitude, diria Kerouac: medo de se assumir hedonista à fim de persuadir o próximo: e, Eh! Seqüela Kafkaniana de prender-se ao presente representando ódio puro e repressão bossa-boca nova, onda-boçal. E que seja um calendário, que antítese! Imperador e César cainita devorando a si próprio recíproco à dor alheia, aleatório.
***
Garotas amenas esperam sem a docilidade e minha alma espera não ser somente traição em troca de trocados, aspirando pelas frestas de um milagre. Encontro com a morte com hora marcada e tudo, o tal dialogo filosófico; assuar o nariz assoberbado. Ouvindo Caetano e Jorge em comunhão e benção num banheiro sujo em minha própria imundície e alcançando, quase, a possibilidade de chafurdar. Se posso ser um deus desses pequenos, que a mitologia até se esquece. É sangue que se mistura; são dois perdidos numa noite parca, um pai pouco à vontade – um filho desvirtuado, um maltrapilho consumindo-se em anéis de vergonha. Correndo em círculos para não ter que enfrentar a voz que clama durante os séculos predestinados.
quinta-feira, março 06, 2008
Vadiagens

Temos guias para as rotinas, ninguém se cansa de saber-se vivo. Há um prazer em pegar em cosias. Portanto, neste dia, espreguicei-me, por um segundo senti os ossos furarem as vestes; a pele definhando não é das mais confortáveis, subestimei minhas chagas, o corpo todo; estou em todo lugar aguardando festas que nunca acontecerão!
Espero poder praticar minhas idas e vindas sem ser açoitado pelo remorso, pois que, pátria já não tenho, nem me interessa os túmulos frios. Só há uma coisa sensata a fazer: banhar-me calmamente numa cachoeira caudalosa.
Pensava, horas antes, antes de tudo, antes mesmo de me estirar aqui, que poderia, facilmente, reconhecer a beleza, porém assustei-me tanto com minhas verdades que revirei os olhos e prostei-me ajoelhado rogando à terra. Estimular a alma não é fazer preces às escuras e sim comungar com seus próprios pés e comer o chão, emaranhando em raízes, fazendo-se rocha. A um só tempo fiz-me abrigo das correspondências sinuosas do tempo. Voltava à carne.
Empoado, empoeirado, e que as cinzas sejam o seu antro sagrado e que meu choro seja um balbuciar de criança cheia de abraços fraternos e se houve a sombra (raquítica) compensando um monstro, eu anuncio: que seja poesia tudo quanto meu arredio verbo se der, e sorte para o azar.
sábado, dezembro 22, 2007
Let it be
Deixe também umas cervejas - queria maconha e as janelas abertas!
Eu cuido das samambaias.
Mas antes de partir deixe um beijo.
E alguma comida na geladeira.
Pode esconder o controle da televisão.
Pensando bem, onde está o controle do dvd?
Deixe alguns recados escondidos pela casa.
O projeto de sua obra de arte à minha vista.
A decoração dos cômodos e um relógio para eu contar as horas.
Uma cueca limpa, escova de dente, pasta e listerine azul.
Deixe a sua calcinha no banheiro. O diário aberto.
Sua caixa com bonecas.
Teu cheiro nas calcinhas que eu encontrar no banheiro.
Deixe uma mensagem dizendo que já está chegando.
Eu faço a mesa.
Meditações para um quadro.

Controle.
Auto controle.
Quem controla?
Quem é o autor por trás da roupa?
Onde se escolhe o movimento?
Existe um guia?
Quanto a mim estou fragmentado. Ou estamos?
O mesmo eu que recompoem, em frangalhos.
A tentativa de encontrar o escuro
o caos
ensina o princípio das armadilhas
e fugir das armadilhas é a própria cela.
Sapiens.
Sujestão racional que pouco modifica o comportamento do cérebro
animal.
Quanto se pode promover de auto-manipulações e sabotagens?
"Descobre"
O pensamento visto de bem longe
é uma polifonia dissonante com momentos de encontros.
O reconhecimento prova. Não é crença, é estado. Epifania.
"Eu" é mata-burro
e "eu" também é fruição com delícia.
Então deixemos o controle para o acaso.
A perfeição é a maior proximidade com o escuro absoluto.
As linhas diretrizes, para começar, não existem.
Para além do indivíduo,
quem aprende ensina com base no próprio aprendizado,
e assim se tece uma trama imensa.
Não percamos de vista a semelhança com os mitos.
Subprodutos dos subprodutos.
Mas quem controla?
E o auto-controle?
Onde resíde o auto além do acaso?
No umbigo?
Cordão umbilical, a ligação com a natureza...
Eu, é depois que se aparta. Pensamento mesquinho.
Ou vasto...
Quem escolhe entre o mesquinho e o vasto sou eu.