Quarta-feira, Outubro 22, 2008

Poesia ao Vivo


POESIA AO VIVO

APRESENTAÇÃO

O projeto POESIA AO VIVO será realizado nos dias 24 e 25 de outubro de 2008, e consistirá em debates e apresentações intercaladas de poesia, música e teatro (dia 24) e um encontro entre os poetas e editores convidados de São Paulo e os participantes das oficinas Poiesis (poetas iniciados e iniciantes) e Poesia e Teatro (atores e atrizes), ambas ministradas por Waldo Motta (dia 25).

OBJETIVOS

Reunir num mesmo evento artistas da poesia, do teatro e da música;

Promover a amizade, o intercâmbio e parcerias entre poetas e artistas capixabas e de outros estados brasileiros;

Apresentar poetas capixabas a poetas e editores de São Paulo, visando a criar possibilidades de divulgação e publicação;

Criar meios de difusão e popularização da poesia.

PROGRAMAÇÃO

Local: Centro Cultural Majestic

Endereço: Rua Dionísio Rosendo, 99 – Centro – Vitória – ES

Tel.: (27) 3222.5984

Informações: astrid@majestic.org.br / waldomotta@bol.com.br

Sexta-feira, dia 24 de outubro

16:00 hs - Momento informal: apresentações recíprocas dos participantes do evento POESIA AO VIVO: poetas, editores, organizadores, apoiadores, artistas em geral
16:30 hs – Palestra e debate sobre a poesia na atualidade: com Massao Ohno (SP), Ronald Polito (SP), Waldo Motta (ES), Celso de Alencar (SP) e Paulo Sodré (ES)
18:30 hs - Coffee break, no Centro Cultural Majestic
19:30 hs - Início das apresentações artísticas: poesia, música e teatro
21:30 hs - final do evento

Sábado, dia 25 de outubro

10:00 às 12:00 hs – Massao Ohno, Celso de Alencar e Ronald Polito conversarão com os participantes das oficinas Poiesis (poetas iniciados e iniciantes) e Poesia e Teatro (atores e atrizes)

POESIA AO VIVO

Autor e organizador do projeto Poesia ao Vivo:

Waldo Motta

E-mail: waldomotta@bol.com.br

Site: www.waldomotta.cjb.net

Tel.: (27) 8841.7348

Waldo Motta, poeta, autor de, entre outros, Bundo e outros poemas (Unicamp, 1996) e Transpaixão (Kabungo, 1999), livro este indicado para o Vestibular da UFES 2010/2011, é o organizador do evento, e atualmente desenvolve as oficinas Poiesis (para poetas), Poesia e Teatro (para atores), ambas com apoio da Secretaria de Cultura de Vitória.

Realização: Secretaria de Cultura da Prefeitura de Vitória / Circuito Cultural de Vitória / GR arte&educação - Apoio: Secretaria de Produção e Difusão Cultural e Programa de Pós-Graduação em Letras-UFES

Entre os convidados de São Paulo: o editor Massao Ohno, que publica poesia há meio século, o poeta e editor Ronald Polito e o poeta e assessor da Secretaria de Cultura de SP, Celso de Alencar.

Entre os poetas daqui estão Waldo Motta (que ministra as oficinas Poiesis e Poesia e Teatro e organizou o evento Poesia ao Vivo), Marcos Tavares, e uma penca de gente talentosa que está se revelando como George Saraiva, Roberto Soares, Tatiana Brioschi, Franklin Netto, Fábio Freire, Fabrício Noronha e Piatã Lube.

Os atores e atrizes Danielli Zetum, William Berger, Cristina Garcia e Allan Moscon, da Oficina Poesia e Teatro, lerão poemas dos participantes da Oficina Poiesis, e os três últimos apresentarão cenas da peça Terra sem mal, versão teatral do livro homônimo e inédito de Waldo Motta. Na verdade, William, Cristina e Allan fazem nesta apresentação a estréia da peça, que resulta da oficina Poesia e Teatro, desenvolvida em três módulos de quatro meses de aulas teóricas e práticas, pesquisas, reflexões e métodos próprios sobre o que Waldo chama de teatro alegórico e que tem algumas afinidades com as idéias e obras de Calderón de La Barca, Gil Vivente, Anchieta, Brecht e Artaud, entre outros.

TERRA SEM MAL - A peça satiriza a busca real e o achamento imaginário da Terra sem mal, isto é, o paraíso terrestre (ywy marã ey, na concepção indígena) e as cenas que serão apresentadas são:

1) A marcha ou peregrinação indígena em busca do suspirado paraíso; 2) um diálogo burlesco entre Tupã e o pajé buscador; e 3) outro, travado entre um tipo diferente de buscador, o cara branca, quer dizer, o Sinhozinho, e Jaguarete, a monstra terrível, a bicha papona, que guarda o lugar sagrado, e a coisa buscada.

O poeta Waldo Motta lerá, entre outros, o poema Jurupari, que fala do retorno do Messias e sua fala apocalíptica.

O poeta Fabrício Noronha e os participantes de seu grupo Sol na Garganta do Futuro, que mescla poesia e música, farão a abertura, as vinhetas entre as apresentações e o encerramento do Poesia ao Vivo, na sexta-feira.

Terça-feira, Setembro 30, 2008

Dúvida

Partir sem despedida.
Chegar sem reencontro.
É dessa matéria que se fazem os fantasmas?

A duvida ressurge, no silêncio entre a minha casa e a sua.
São zonas insuspeitas que desde sempre eu quis negar,
Que ao meu amor sincero não perturbavam
Até agora.

Um acidente no percurso
Ou novo curso da história?

Segunda-feira, Maio 05, 2008

No amanhecer de Peter Pan – 2ª parte













Homenagem aos mentores












“Busquei minha discordação, discórdia disseminando recordação!?”
Um último haicai.





É um trêmulo desejo, e o Havaí, por onde anda? Fizeram-me mero coadjuvante; ah! Esta alegria que tão pouco dura tão somente dura. É preciso que haja um pouco mais de feminilidade neste mundo; um pouco mais de amor; e o crescendo de um trompete afinado em si bemol molhando os olhos, (queime aqueles lábios molhados) um resto de solidão...
Poemas para a redundância, prolixos, exóticos e apropriadamente beat-beatitude, diria Kerouac: medo de se assumir hedonista à fim de persuadir o próximo: e, Eh! Seqüela Kafkaniana de prender-se ao presente representando ódio puro e repressão bossa-boca nova, onda-boçal. E que seja um calendário, que antítese! Imperador e César cainita devorando a si próprio recíproco à dor alheia, aleatório.








És esquerda e brilha pequeno é compositor ambíguo de operas celestialmente infernais, reticente: amargo do alto dos seus trinta. Gigantescamente adjetivável e de pormenores repletos de idéias tortas aprendiz de minha evolução, mas baluarte com bandeiras consumidas pela dor da repetição: trabalhando cada metáfora mar afora com olhos tristes. Assassino entre dentes num brado estridente dos ouvidos afoitos, mergulha-te num balde de cola – repõe teus cacos – e a herança do ensimesmado ensinamento e os arroubos de paixão que se dissolveram entre suor e lágrimas numa sacada do amigo perdido: popularmente reconhecido na afabilidade de mais um copo e o mesmo ombro.

***

Garotas amenas esperam sem a docilidade e minha alma espera não ser somente traição em troca de trocados, aspirando pelas frestas de um milagre. Encontro com a morte com hora marcada e tudo, o tal dialogo filosófico; assuar o nariz assoberbado. Ouvindo Caetano e Jorge em comunhão e benção num banheiro sujo em minha própria imundície e alcançando, quase, a possibilidade de chafurdar. Se posso ser um deus desses pequenos, que a mitologia até se esquece. É sangue que se mistura; são dois perdidos numa noite parca, um pai pouco à vontade – um filho desvirtuado, um maltrapilho consumindo-se em anéis de vergonha. Correndo em círculos para não ter que enfrentar a voz que clama durante os séculos predestinados.



Quinta-feira, Março 06, 2008

Vadiagens


Aqui a percepção anda emparedada, a concepção boquiaberta abocanhando feixes de lágrimas. As amarras da confusão afrouxando a historia e o mito das palavras se soltando do tempo. As pontas dos dedos amargam vestindo as linhas.
Temos guias para as rotinas, ninguém se cansa de saber-se vivo. Há um prazer em pegar em cosias. Portanto, neste dia, espreguicei-me, por um segundo senti os ossos furarem as vestes; a pele definhando não é das mais confortáveis, subestimei minhas chagas, o corpo todo; estou em todo lugar aguardando festas que nunca acontecerão!
Espero poder praticar minhas idas e vindas sem ser açoitado pelo remorso, pois que, pátria já não tenho, nem me interessa os túmulos frios. Só há uma coisa sensata a fazer: banhar-me calmamente numa cachoeira caudalosa.

Pensava, horas antes, antes de tudo, antes mesmo de me estirar aqui, que poderia, facilmente, reconhecer a beleza, porém assustei-me tanto com minhas verdades que revirei os olhos e prostei-me ajoelhado rogando à terra. Estimular a alma não é fazer preces às escuras e sim comungar com seus próprios pés e comer o chão, emaranhando em raízes, fazendo-se rocha. A um só tempo fiz-me abrigo das correspondências sinuosas do tempo. Voltava à carne.

Empoado, empoeirado, e que as cinzas sejam o seu antro sagrado e que meu choro seja um balbuciar de criança cheia de abraços fraternos e se houve a sombra (raquítica) compensando um monstro, eu anuncio: que seja poesia tudo quanto meu arredio verbo se der, e sorte para o azar.

Sábado, Dezembro 22, 2007

Let it be

Deixe música, alguns maços de cigarro e talvez eu resita.
Deixe também umas cervejas - queria maconha e as janelas abertas!
Eu cuido das samambaias.
Mas antes de partir deixe um beijo.
E alguma comida na geladeira.
Pode esconder o controle da televisão.
Pensando bem, onde está o controle do dvd?
Deixe alguns recados escondidos pela casa.
O projeto de sua obra de arte à minha vista.
A decoração dos cômodos e um relógio para eu contar as horas.
Uma cueca limpa, escova de dente, pasta e listerine azul.
Deixe a sua calcinha no banheiro. O diário aberto.
Sua caixa com bonecas.
Teu cheiro nas calcinhas que eu encontrar no banheiro.
Deixe uma mensagem dizendo que já está chegando.
Eu faço a mesa.

Meditações para um quadro.



Controle.
Auto controle.
Quem controla?

Quem é o autor por trás da roupa?
Onde se escolhe o movimento?
Existe um guia?

Quanto a mim estou fragmentado. Ou estamos?
O mesmo eu que recompoem, em frangalhos.

A tentativa de encontrar o escuro
o caos
ensina o princípio das armadilhas
e fugir das armadilhas é a própria cela.

Sapiens.

Sujestão racional que pouco modifica o comportamento do cérebro
animal.
Quanto se pode promover de auto-manipulações e sabotagens?

"Descobre"

O pensamento visto de bem longe
é uma polifonia dissonante com momentos de encontros.
O reconhecimento prova. Não é crença, é estado. Epifania.

"Eu" é mata-burro
e "eu" também é fruição com delícia.

Então deixemos o controle para o acaso.
A perfeição é a maior proximidade com o escuro absoluto.
As linhas diretrizes, para começar, não existem.

Para além do indivíduo,
quem aprende ensina com base no próprio aprendizado,
e assim se tece uma trama imensa.
Não percamos de vista a semelhança com os mitos.
Subprodutos dos subprodutos.

Mas quem controla?
E o auto-controle?
Onde resíde o auto além do acaso?

No umbigo?
Cordão umbilical, a ligação com a natureza...
Eu, é depois que se aparta. Pensamento mesquinho.

Ou vasto...

Quem escolhe entre o mesquinho e o vasto sou eu.

Terça-feira, Dezembro 18, 2007

Literatura de Bordel

Alguma vez tentou-se afugentar os monstros que se abrigam no abismo do vazio: então escolhemos as armas e distorcemos por menores que sejam nossas pequenas falhas. O intento precede a vontade, mas eu que conduzo as massas desvirtuadas, sou realmente conspurcado, e me sinto assim porque posso, porque cheiro à ralo porque rolo com vermes ao amanhecer, em resposta ficaria nu, e se os tivesse, faria os cabelos frondosos. E vivo enquanto morro, meu futuro é pestanejar o mastigar do agora em diante e só assim passado.

Domingo, Dezembro 09, 2007

arte plástica


que tristeza é essa que você atravessa como uma aventura?
a tristeza precisa de motivos.
a felicidade não.
não é preciso investigar nos reconditos aquilo que acontece na pele.

Quinta-feira, Novembro 29, 2007

Carpe diem

Eu queria aproveitar, um dia que fosse, contigo.
Mas eu troco os pés pelas mãos, e ando de quatro celebrando a poesia
da Luiza de Tom, de Vinícius, de Chico, e minha.

Não sei jogar e nem perder com classe. Voltei ao estado de pedra bruta, de rolar sem ligar pra nuance das coisas. Rock’n roll e amor, desses que se faz até de manhã.

Troca sem medo. Aflorar deflorado.

Sexta-feira, Novembro 16, 2007

deus está morto?


Não é difícil enxergar incoerências entra a figura emblemática do tropicalismo, o tímido espalhafatoso Caetano Veloso, que introjetou na música popular brasileira o gérmen da vanguarda e, por conseguinte revolucionou sua linguagem, e o espalhafatosamente tímido Caetano Veloso, arrependido das intervenções polêmicas a que tantas vezes se dispôs diante dos assuntos da moda, com seus olhinhos infantis sem a malícia do bandido, em trajes puídos e uma aparência encurvada, a implorar clemência ao fim de cada canção, ofuscado pela banda competente com quem confeccionou o disco Cê.

- Deus está morto - afirmei a quem quisesse após seu último show em vitória – o meu primeiro, e talvez o derradeiro – em que apresentou o disco recém inaugurado. Não sei ao certo o ponto exato da transfiguração em que o Caetano mítico transformou-se em deus empedernido, a mudança foi gradativa e pouco a pouco meu mestre, que é um instrumento sensível às variações do tempo e por isso não poderia passar incólume aos anos 80 e 90 e toda a deterioração do sublime e do sonho revolucionário que acarretaram, perdeu sua capacidade de contagiar a alma, ao menos a minha - embora neste período tenha composto obras como “ele me deu um beijo na boca”, “trem das cores”, “o quereres”, “vaca profana”, entre outras.

Seria injusto exigir que Caetano se mantivesse fiel à estética que o consagrou, até por que esta sempre foi mutante. O problema é ver seu esgotamento. Naquela noite, derrotado, admiti que Caetano envelhecera, o tempo tem desses reveses cruéis. O mesmo princípio pode ser aplicado aos Rolling Stones, a Paul Mccartney e a muitos outros que viraram lenda sem morte precoce no ápice da carreira. Mas não se aplica a Tom Zé, que dias depois me provou que era possível envelhecer com vigor artístico.

Eu esperava ansiosamente pelo show onde todo o mundo poderia brilhar num cântico, ver revelado o jeito da Bahia que afetaria toda a gente do mundo em um momento puro de amor, mas no palco um Caetano transvertido em David Byrne demolia minhas ilusões. Sua boca tremia constantemente em vibratos inconvenientes, e eu me via carrasco do meu maior ídolo, primeiro com expressão triste, depois com zombaria ao vê-lo se aproximar da platéia em passos tímidos, e era incontida a gargalhada quando, no momento de sua maior euforia, dava uns pulinhos. Voltei para casa ultrajado.

Há quem diga que no disco Cê a ousadia de Caetano se reafirma. Concordo que a prosa do poeta se mostra madura, e a idéia de substituir a orquestra de batuques, que deu o tom de seus últimos discos, pelo trio de músicos talentosos, tange seu velhos ideais, mas não o suficiente para tornar o disco arrebatador, como os que antes sabia fazer com tanta naturalidade.

Caetano é um ser para arte, com referências múltiplas que misturadas dão origem a uma obra conceitual nunca antes vista no Brasil em forma de música. E ser referência no Brasil que é por excelência um berço da boa música é para poucos!

Ele não é o único, mas sem dúvida é um dos gênios que conseguiram transfigurar o gênero em um perfume que intoxica, uma experiência visceral que por vezes se materializa de maneira etérea, mas com força suficiente para agarrar pelo pescoço e arremessar pela janela, cadenciar os passos rumo ao amor livre e à liberdade incondicional enquanto meta.

Com a sensibilidade e competência para as múltiplas possibilidades de verter a arte, sua obra é marcadamente plural: artes plásticas, cinema, literatura, filosofia, afetos e desafetos, e também música, com influências que vão do fado ao rock’n roll, da moda de viola à música experimental, da bossa à jovem guarda, da anticanção sobre o sexo sem compromisso à canção de amor à flor da pele, tudo isso fundido sob um mesmo signo. Sem falar de sua capacidade como interprete. Havia me esquecido do teatro, fica para um próximo texto...

Quando ouço Qualquer coisa, ou Jóia, ou o disco branco de 69, ou o Transa, enfim, alguns dos seus discos embalam-me numa nostalgia de algo que embora não tenha vivido, sei que participo – sinto – ao menos enquanto dura a execução das faixas, cada qual com seu transe particular em que, por mais estranho que pareça, reconheço a força estranha, o pulso primordial que dá o ritmo certo à existência, onde a vida enxerga a beleza latente, às vezes de maneira efusiva, com tremeliques e um sorriso imenso, outras vezes recolhido no espaço e no tempo, sentindo coagular o jorro da noite sangrenta, celebrando o nascimento da paixão com um vinho vício desde o início, ou chorando o fim do amor com uma releitura de “Acontece”.

É quando eu percebo que deus sobrevive.